O sopro de Marajó ecoa forte na quadra da azul e branco de Nilópolis
A poeira da floresta baixou na Baixada Fluminense para consagrar o canto que vai guiar a azul e branco rumo ao próximo desfile. Em uma quadra pulsante e completamente lotada na madrugada desta sexta-feira, a Beija-Flor de Nilópolis escolheu o Samba 13 como seu hino oficial para o Carnaval 2027. A obra assinada pelos poetas Marquinhos Beija-Flor, Claudio Russo, Chacal do Sax, Rômulo Massacesi, Júlio Alves e Léo Freire superou os concorrentes em uma noite de pura celebração à ancestralidade.
O samba campeão será a trilha sonora do enredo Zeneida: O Sopro do Pó de Louro, concepção do carnavalesco João Vitor Araújo ao lado dos pesquisadores Bruno Laurato, Guilherme Niegro e Vivian Pereira. A narrativa musical joga luz sobre a trajetória de Zeneida Lima, pajé marajoara e ativista de 92 anos. Os versos passeiam com sensibilidade pela cosmovisão indígena, pela força dos encantados da floresta e pelas manifestações culturais do Pará, como o carimbó e o siriá, sem esquecer a forte devoção a Nossa Senhora de Nazaré.
A noite ganhou contornos de emoção com uma mensagem em vídeo enviada pela própria homenageada diretamente de Soure, no Marajó, abençoando a comunidade nilopolitana. No palco, o presidente Almir Reis comandou a festa que reuniu baluartes e figuras eternas da escola, como Neguinho da Beija-Flor, Pinah, Soninha Capeta, Raissa Oliveira e o lendário casal Claudinho e Selminha Sorriso. O momento de fé uniu os intérpretes Jéssica Martin e Ninno do Milênio ao ator Samuel de Assis em uma prece cantada que arrepiou os presentes.
Com um refrão principal valente que clama pela incorporação dos caboclos e celebra a união entre o Pará e Nilópolis, a Beija-Flor mostra que está pronta para cruzar a Sapucaí com a força dos pajés e a garra de sua comunidade. A floresta amazônica encontrou sua voz no templo do samba.
