Guilherme Estevão: Império da Tijuca tratará de educação exaltando quem merece

Império da Tijuca anuncia novo carnavalesco para 2020
Foto: Geissa Evaristo / Divulgação.

Por Valesca Santos

A Império da Tijuca está apostando em um jovem talento do Carnaval carioca. Desenhista e arquiteto, Guilherme Estevão, de 24 anos, será o carnavalesco da escola em 2020. É o primeiro trabalho com sua assinatura na Sapucaí. No último reinado de Momo, ele brilhou na Independentes de Olaria.

Guilherme Estevão promete uma escola bem diferente, mais leve, mais lúdica,  com muito colorido, alegre e  reafirmando seu papel educativo. O carnavalesco frisa que a Império da Tijuca tratará de educação de forma artística, bela, exaltando quem merece ser exaltado, respeitando a importância de tantos atores sociais e pensadores da educação.

Revista Carnaval – Como a Independentes de Olaria reagiu ao convite para a Império da Tijuca? E, agora, como será sua participação como diretor cultural da escola?

Guilherme Estevão – A interrupção do projeto com ele iniciado sempre causa algum tipo de apreensão, mas o novo carnavalesco da Independente de Olaria (Marcos Júnior) foi uma indicação minha a direção da escola, alguém que conheço e confio. E todo o processo de transição e suporte necessário para o prosseguimento do desenvolvimento.

RC – Qual foi a sua reação ao receber o convite para ser carnavalesco da Império da Tijuca no próximo carnaval?

GE – Recebi o convite com surpresa e bastante felicidade. É uma grande oportunidade estrear numa agremiação com a história e importância do Império da Tijuca.

RC – Qual a sensação de assinar como carnavalesco de uma escola de samba na Sapucaí?

GE – A sensação é dupla. De felicidade e de apreensão. É outra visibilidade ao seu trabalho e outro tipo de responsabilidade e pressão. Mas tenho encarado com paciência, dedicação e muita vontade de fazer o melhor pra escola realizar um grande Carnaval.

RC – O papel de um desenhista e o de um carnavalesco são totalmente diferentes. Quais as dificuldades que serão encontradas para o desenvolvimento do projeto, sendo que o enredo já havia sido escolhido?

 

GE – Não há dificuldade. Quando assumi a escola, havia apenas o tema escolhido, não o desenvolvimento. Estava definido que agremiação falaria de educação no Brasil e a presença da figura do Homem Livro dentro desse recorte. Todo o processo de costura e elenco dos temas abordados foi minha. Então, não tive dificuldade.

RC – O que você traz de bagagem em seu trabalho com grandes carnavalescos?

GE – Fui desenhista de vários carnavalescos, mas fiz meus próprios Carnavais já. Não sou marujo de primeira viagem. Mas o fato de ter trabalhado com tantos profissionais, de estilos e visões distintas, possibilitou um repertório maior da minha parte em adequar minha arte as múltiplas formas de abordagem do Carnaval. Claro que buscando uma identidade própria, que se consolida com uma sequência de Carnavais.

RC – Tem o estilo parecido com o de algum?

GE – Não quero ter estilo parecido com algum, por que o importante é construir a sua marca, mas vários carnavalescos são minhas referências como Rosa, Arlindo, Renato, além do Severo Luzardo ser um mestre pra mim, ter aprendido muito com Jaime Cezário nos anos de trabalho.

RC – O presidente da Império da Tijuca, Tê, teve alguns problemas internos na LIERJ com os atuais diretores da entidade. Você acha que isto pode prejudicar a avaliação da escola?

GE – É papel do carnavalesco cuidar do seu trabalho artístico e pensar o desfile, as questões políticas de liga que sejam resolvidas pelos dirigentes. Espero apenas coerência, responsabilidade e lisura no resultado, como qualquer sambista.

RC – A Império da Tijuca fará alguma crítica social neste enredo?

 GE – Não teríamos como falar de educação sem abordar a realidade social do país, o momento crítico que ela enfrenta. Mas vamos fazer isso de forma artística, bela, exaltando quem merece ser exaltado, respeitando e reafirmando a importância de tantos atores sociais e pensadores da educação que hoje estão sendo marginalizados por correntes sociais com olhares deturpados sobre a educação brasileira.

RC – O que esperar da escola no desfile no Carnaval de 2020?

GE – O que pode-se esperar é um Império diferente, mais leve, mais lúdico, colorido, alegre, reafirmando seu papel educativo, os valores do seu pavilhão, pensando a educação brasileira até aqui e projetando uma nova educação.

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1 Comentário

  1. Excelente fala deste Carnavalesco Guilherme Estevao, espero que ele consiga fazer um grande carnaval na avenida pois da para perceber que ele “brinca”com o Carnaval desde sempre. A escola Imperio da Tijuca e ao Carnavalesco, um viva pelo enredo.

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